Adotei um animal e me arrependi. O que fazer?

Todos os dias recebemos ínumeros contatos de pessoas que querem adotar e não na mesma proporção, pessoas que adotaram e se arrependeram. Fico pensando o que acontece com essa lacuna entre o quero um gato e o me arrependi. Pensando sobre o assunto, cheguei algumas conclusões, não finitas, mas que gostaria de dividir com vocês.

Antes mesmo de eu falar sobre meus pontos de vista, deixo claro que não é algo aboluto. O espaço aqui é aberto para todos e desde que respeitosa, todas as opniões são bem aceitas.

Leia o texto abaixo:

Por motivos óbvios, não vamos informar a identidade da pessoa. Quero muito que ao ler, você abra a mente e veja além. Em um primeiro momento você pode até pensar “nossa, que pessoa ruim”. Se pensou assim, releia por outro ângulo.

Esta pessoa que vou chamar “P” estava no limite, mas a história toda estava errada desde o começo. Vejo uma sucessão de equívocos:

  1. Adotou um novo gato de forma implusiva por recomendação do médico veterinário;
  2. Quanto mais novo, mais ativo é o animal;
  3. Animais têm personalidade e isso precisa ser respeitado;
  4. Não houve uma devida aproximação entre os animais;
  5. O filhote brinca de morder;
  6. O marido não aprovou a nova integrante mas ainda quer tentar;
  7. P está infeliz.

Regra básica social: antes de julgar, entenda.

É obvio que estava vivendo um drama e o texto foi na verdade um desabafo, mas as pessoas das redes sociais não estão preparadas para a verdade. Não estão preparadas para ajudar, somente julgar. E me baseando nos ínumeros e-mails que recebo de pessoas que adotaram e se arrependeram, P não é único.

Antes de adotar um animal…

Existem algumas coisas que você precisa levar em consideração antes de adotar. Isso com certeza vai reduzir as chanches de arrependimento ou mesmo evitar uma dor desnecessária para ambos, anota aí:

Adoção é um ato lindo, mas não pode ser feito no impulso ou apenas por indicação de terceiros. Mesmo que esse “terceiros” seja alguém de confiança como o veterinário. Adoção é um ato sério que precisa ser pensado com antecedência. Você deve fazer uma lista com o trabalho extra que terá (como limpar caixa de areia, passear com o cachorro, trocar água e comida, quem poderá ficar com ele em um caso de viagem ou se poderá levar), deve incluir gastos extras como vacina, alimentação, brinquedos, petiscos, areia, tapete higiênico e uma reserva para emergências;

Pense no seu ritmo pessoal, quanto mais filhotinho mais ativo é o animal. As vezes o que você busca é um animal bem ativo mesmo, que goste de correr pela casa, brincar de dar bote (gatos) ou quer companhia para fazer caminhadas ou corridas leves (cachorros). Animais adultos têm um ritmo menos acelerado e os idosos são os mais calmos.

De forma geral fazemos a seguinte indicação: animais filhotes são ótimos companheiros para crianças (pois gastam as energias juntos) ou pessoas bem ativas. Animais adultos para pessoas com ritmo mais desacelerado e gostam só de um “pico” ou outro de atividade. Por fim, animais adultos e idosos são ótimos companheiros para idosos e pessoas mais tranquilas, calmas e que não querem muitas atividades.

É preciso conhecer a personalidade do animal antes de adotar. Adoção não é sistema de roleta russa, converse com o adotante e fale do seu ritmo de vida e que tipo de animal você gostaria de ter ao seu lado. Certamente ele saberá indicar algumas opções que têm personalidade compatível com a sua.

Animais filhotes brincam de roer. Normalmente os gatos querem dar umas roídas nos pés dos humanos, arranham sofá, box da cama e os cachorros roem sapatos, brinquedos e o que mais você falar para não fazer. Isso faz parte da idade. Crianças não passam pela fase de colocar tudo na boca e a gente tem que ficar de olho para eles não engolirem? Com os animais filhotes também precisamos ficar atentos. Os animais adultos são mais tranquilos e tem suas manias próprias (quando você adota adulto, o protetor já te diz quanto tempo em média ele dorme, tipo de comida que gosta, do que gosta de brincar, etc), já os idosos normalmente sentem mais frio, mas não exigem grandes cuidados. Normalmente também são bem calmos e muito carinhosos.

Converse com os membros da família e veja se todos estão de acordo em ter um animalzinho em casa. Ao adotar sem conversar com quem vai conviver com o animal pode trazer grandes discurssões, brigas e gerar um estresse desnecessário. Animais são sinônimos de amor, não ódio.

Depois de adotar…

Quando você adota um animal e já tem outro, é fundamental que haja uma apresentação e a aproximação deve respeitar o tempo próprio deles. Isso é absolutamente normal! Pra quem acompanha a história da Bella: uma surpresa no capô do carro, sabe como foi a adaptação com a Nina e depois com a chegada da Pepita. Nesse link também demos 10 dicas de como apresentar um gato ao outro. Com os cachorros também é preciso fazer essa apresentação e respeitar o período de adaptação.

✔ É preciso saber que é muito comum perder um objeto ou outro em casa. Como já falei, é comum que eles roam uns sapatos, arranhem um sofá ou quebrem alguma coisa sem querer. Você precisa estar preparado para lidar com essas situações. Vai precisar ter jogo de cintura para lidar com essas situações sem bater no animal (como recentemente alguém me escreveu que perdeu a cabeça, bateu no animal e se arrependeu).

Seja paciente! O período de apatação é para ambos e levando em consideração que a maioria dos animais já sofreram maus-tratos, é claro que ficam desconfiados. É preciso um certo tempo para ele entender que os dias frios acabaram e que de agora em diante ele será respeitado e terá um lar. Um lar de verdade com muito amor e carinho.

Não é feio desistir da adoção. Feio é abandonar o animal na rua a sua própria sorte para uma morte lenta e dolorida. Eu sei que estou indo na contramão, mas é verdade. Se você adotou, o animal passou a ser de sua responsabilidade. Portanto é também da sua responsabilidade conseguir um novo lar para ele. O que também não acho certo é devolver para o protetor. Veja: ele resgatou, cuidou, protegeu e te entregou. Passou o bastão e fim. Você provavelmente foi até ele, pegou o animal. Insisto, agora é sua responsabilidade conseguir um novo lar para ele.

Para ser sincera, em alguns casos, até indico. P, provavelmente não pensou em um monte de coisas antes de adotar e agora está infeliz e transmitindo energias ruins para o pobre gatinho. Não seria melhor para ambos que P conseguisse um novo lar para o gato? Feio? De forma alguma! A vida não é um cálculo exato e imprevistos podem acontecer. A forma como você vai lidar com eles é o que te fará um ser humano ou apenas um ser (abominável, talvez).

Para finalizar um último pedido: vamos acolher essas pessoas. Vamos transmir amor. Vamos inciar uma corrente do bem e ajudar o animal a encontrar um novo lar. Criticar e xingar não vai resolver o problema.

Semana que vem a gente volta com mais dicas e cuidados! Até lá!

Banner Amigo adotar

Leave a Reply

2 Comentários

  1. leticia

    estou com um problema, há mais ou menos 1 ano atrás eu visitei a amiga do meu pai que mora na praia e ela tinha um cachorro que eu era apaixonada e fiquei falando pro meu pai que queria adotar um pra mim, ele disse: filha, ainda moro com a sua vó, voce mora com a sua mae e nenhuma delas aceitaria um cachorro e foi ai que a amiga dele disse: porque voces nao adotam um e deixam aqui em casa (ele ia ser meu, mas ia ficar na praia, ja que o cachorro que ela tinha precisava de uma companhia pq a casa era grande) entao eu e meu pai topamos. só que quando fomos adotar, nos apaixonamos por um cachorrinho e decidimos ficar com ele pra gente (mesmo sem ter onde ficar), foi ai q quando eu cheguei na casa da minha mae com o cachorro, ela ficou mt brava e foi uma confusao pq meu padrasto nao permitiu. enfim, ele foi ficando com a gente meu pai visitando as vezes e eu cuidando do lombra (é o nome dele) no começo era dificil porque ele tinha 3 meses, mas foi se adaptando, aprendeu onde fazer xixi, coco, sabe pedir pra comer e beber. o grande problema é quando fica sozinho, no começo eu entendia que ele nao tava acostumado, mas ele surtava chorava o tempo todo, os vizinhos reclamavam e sempre destruia alguma coisa, foram varios rolos de papel higienico, panos de chao, lixo revirado, rg rasgado, roupas intimas, meia, colera, controle remoto e por ai vai.
    agora, faz mais de 1 ano q eu to com ele e ate hoje é a mesma coisa, todo dia q eu fico seja 20 min ou 3h fora, eu chego e tem bagunça. to cansada, eu choro, ninguem me ajudaa, meu pai vem e passeia com ele, mas sou eu que ouço que ele destruiu isso e aquilo, sou eu que chego em casa e limpo a casa toda sempre q saio. eu nao sei mais o que fazer, por sorte meu pai finalmente comprou um imovel e agora ele vai ficar la comigo e com meu pai (os verdadeiros donos), mas de verdade, eu to tao esgotada que as vezes penso em devolver ele pra moça que eu adotei, mas isso parte meu coração pq eu nao quero fazer isso mas eu nao consigo dar a atenção que achava que poderia dar

    • Fabiana Xavier

      Olá, Leticia!
      Claramente você está esgotada com a rotina! Mas assim como P, vejo que você também não analisou bem a situação antes de adotar, como por exemplo, morando com outra pessoa saber se ela também estaria de acordo com a chegada de um cachorro. Mas isso passou, enfim, vamos aos fatos:
      1- Você claramente está cansada da rotina;
      2- O Lombra é um detonador de objetos;
      3- As pessoas que moram com você também devem estar fazendo pressão sobre o animal;
      4- Você quer devolver o cachorro.

      Vamos analisar, será que esse estresse vem só do cachorro ou tem mais coisas que estão te levando ao limite? É preciso analisar para não jogar a culpa toda nele, existindo outras coisas por trás.
      Ele destrói tudo porque ainda é filhote. Vamos a tabela média: cães de porte pequeno se tornam adultos com 1 ano. Porte médio entre 1 ano a 1 ano e meio e porte grande 2 anos. Como ele acabou de fazer 1 ano, as coisas devem melhorar.
      Outro fato importante é saber se ele tem brinquedos para passar o tempo enquanto fica sozinho. Animais também precisam de distração. Destruir objetos é normal, mas em demasia também pode ser sinônimo de ansiedade, nesse caso indico uma consulta para obter uma opinião médica. De forma geral, também indico florais de Bach para animais, fazem maravilhas e não tem contra indicação, pois natuais e feito especialmente para eles.
      Sobre as pessoas que moram com você, bem, não posso tirar a razão delas, pois você chegou com um cachorro sem consultá-las, mas já está se mudando, então, tente não se importar tanto com os comentários negativos.
      Sobre devolver para o adotante, acho errado. Quando você foi buscá-lo se comprometeu a cuidar dele (e assim tem feito), uma vez que mudou de ideia, também não é culpa do protetor, pois agora ele é da sua responsabilidade. Mas há solução, você pode buscar um novo lar para ele. Pode inclusive usar nosso site: http://www.amigonaosecompra.com.br.
      Mas gostaria de verdade que tentasse mais um pouco. Na casa nova você não terá os olhares de reprovação das outras pessoas e como ele faz as necessidades em um lugar só fica mais fácil a limpeza. Indico tapete higiênico descartável. Assim, é só enrolar e jogar fora. Pense que ele te ama e o fato de você estar passando por tudo isso e ainda estar com ele, também prova que o ama, só esta cansada da rotina.
      Dê mais uma chance, ele está crescendo e o ritmo deve diminuir, castrar também ajuda, compre mais brinquedos (corda, bola, galinha maluca), assista vídeos no youtube sobre adestramento de cães.
      Espero mesmo que o relacionamento de vocês vai melhorar, mas caso contrário, saiba que pode contar com nossa ajuda para encontrar um novo lar para o Lombra!
      Faça parte do nosso grupo secreto no Facebook e troque experiências com pessoas que possam estar passando o mesmo que você: https://www.facebook.com/groups/amigonaosecompra/

      Espero ter ajudado!
      Um abraço!