Minha gata não gosta de colo, será que ela não gosta de mim?

Eu sempre tive gatos. Em determinada época da minha vida foram 13! E com tantos anos convivendo com gatos eu posso afirmar que aprendi algumas coisas sobre a personalidade deles. Como por exemplo que eles têm pernonalidade e que cada gato é diferente do outro.

Hoje estou em novo aprendizado e acredito que muitas pessoas estão passando pelo mesmo que eu: minha gata não gosta de colo. Será que isso significa que ela não gosta de mim?

A Ruby vai fazer 2 anos em setembro. Eu a resgatei em uma noite de chuva quando ela era apenas um “camundongo”. Ela era tão magrinha, cheia de pulgas e assustada. Mesmo assim roubou meu coração desde o primeiro segundo em que eu a vi.

A trouxe para casa mas meu marido não a queria. Ele dizia que odiava gatos! Dizia que são interesseiros, que não gostam das pessoas, só da casa, entre outos mitos absurdos. A verdade é que ele nunca havia convivido com um gatinho.

Ruby com 3 meses de idade.

Quando ela era bebezinha, era puro dengo. Aí foi crescendo, aprendeu a caçar, aprendeu a escolher ração, onde dormir, onde queria beber água, que na barriga ninguém pode encostar e com o tempo, que também não gosta de colo.  Não gosta sequer que façamos carinho. Aprendeu a roubar comida também, mas sobre isso falo em outro momento.

Ela tem um monte de brinquedos: são ratos, bolinhas com sininhos, ratinhos de cordas e três arranhadores só pra ela! Ela também não tem acesso a rua e fica sempre protegida em casa. Aqui todas as janelas são teladas. Não me importo com o sofá destruido, com os lençóis furados ou com os arranhões que eventualmente acabo levando.

Além da diversão, a saúde está super em dia! Ela tem a caderneta de vacina atualizada e até marco na agenda para não atrasar. A castração foi aos 5 meses (até relatei aqui como foi o processo) e não falta mimo. Pode dormir na cama e quando está frio, até debaixo da nossa coberta ela pode ficar. Detalhe: todas as noites ela dorme nas pernas adivinha de quem? Claro, do meu marido! Aquele que odiava gatos e agora sente falta quando ela não vem.

Claro, como toda casa existem as regras: ela não pode ficar na mesa da cozinha, pia ou fogão. As regras são respeitadas, caso contrário, o senhor borrifador entra em ação.

Todas as manhãs eu coloco a caminha dela no sol. Ela gosta de tomar banho e tirar um cochilinho enquanto se aquece. A tarde, o arranhador maior fica na janela da sala, que é onde ela gosta de observar a rua e os passarinhos que cantam alegremente na amendoeira do vizinho da frente. Nos finais de semana, a gente passeia no terraço. Tenho algumas plantinhas que ela gosta destruir.

Ruby “cuidando” do pezinho de hortelã.

Sabe quando alguém fala te catucando o tempo todo? Nossa, como isso é chato! Eu imagino que ela se sinta assim. Não acho que seja possível ela não me amar, ainda que ela não goste que eu encoste muito nela.

Deve mesmo ser estranho uma pessoa 20 vezes maior que ela ficar pegando e amassando o tempo todo. E voz chata que é só: “Quem é a princesinha da mamãe? Cadê a gatinha lindinha da mamãe? Eu vou amassar você todinha!”

Mesmo assim, sem gostar de muito contato físico, lembro de uma vez que tive uma crise renal. Fiquei de respouso por uns dias e ela não saiu do meu lado. Em alguns momentos até deixou eu fazer carinho por um longo tempo. Quando não estava na cama comigo, estava no chão me vigiando.

Meu marido uma vez também ficou muito doente. O dia que ficou internado ela ficou até sem comer! Quando ele voltou para casa, estava mancando um pouco e adivinha quem começou a mancar? Não sei se era deboche, acho que até podia ser… O fato é que a medida que ele foi melhorando ela também foi parando de mancar.

Se isso não é demonstração de amor, não sei como poderia definir.

A minha Ruby é atrevida, levada, caçadora (mas tem medo de barata e ônibus), não tem medo das visitas e ama um sachê de truta com espinafre. A alegria que ela nos trouxe não se paga. Como ela é muito arteira, cada dia é uma piada nova! Eu poderia passar dias contando suas artes… Ela sabe abrir meu guarda roupas! Ela empurra a porta de correr e afia as unhas nas minhas calças. Já perdi algumas bolsas assim também. Certa vez a peguei no nicho da cozinha sentada e jogando tudo no chão. Acho que estava entediada…

Essa sou eu em um dia frio. A Ruby já estava no limite do “pode me abraçar”, rs.

O fato é que assim como nós, existem gatos mais carinhosos e afetuosos. A Ruby nos ama, eu sei disso. Mas ela é um espírito livre, totalmente independente e isso não significa que ela me ama menos ou mais.  Na verdade até aprendo com ela: devemos amar as pessoas da mesma maneira que amamos nossos peludos, sem esperar nada em troca. Amo a Ruby porque a amo e ponto. Não espero que ela faça algo por mim ou sequer que me deixe tocá-la, ao contrário, respeito o tempo dela. Quando aceita um carinho eu faço, quando não, é vida que segue. Que possamos levar isso para além da convivência com os gatinhos.

Sim, me considero boa mãe de gato! E você, como é a relação com seus gatinhos?

Por hoje é só, mas semana que vem a gente volta com mais dicas e cuidados pra vocês! Até lá! 🐱

 

Leave a Reply

4 Comentários

  1. Marco Mandarino

    Nossa gata mais nova, Pepita, também não gosta de colo, mas dorme em cima da gente ou grudadinha ao nosso corpo quando estamos dormindo.

    • Fabiana Xavier

      Olá, Marco!

      Acho que é o jeitinho de alguns gatinhos mesmo. Mas a gente que conhece a história, sabe que a Pepita ama demais essa família linda! <3

  2. Paula Antunes

    Gostei muito do seu depoimento.
    Nunca fui “gateira” sempre tive cães mas achei que estava na altura de ter um animalzinho a quem dar carinho já que o filho cresceu e … pronto.
    A Luna foi escolhida por mim entre uma ninhada de gatinhos abandonados com 2 meses e contra a vontade do meu marido que nunca quis animais em casa.
    Desde o primeiro dia que a quem a “rapariga” seguia pela casa adivinhem lá quem foi… o marido, e depois o filho.
    Eu desde o início fui “tolerada” porque lhe dava a comida e só pelo meu lado da cama ela podia subir sem ser borrifada.
    Agora nem uma festa me permite fazer, foge de mim, e o colo, ronrons e marradinhas vão todos para os homens da casa que claro se renderam.
    Francamente fico um pouco “magoada” mas habituei-me a ser ignorada e a ignorá-la.
    Já não tento nem espero quaisquer carinhos e talvez algum dia venha a ter outro gato a quem possa fazer mimos… mas não será a esta certamente :(

    • Fabiana Xavier

      Olá, Paula!

      Gatos são assim mesmo, espíritos livres! A gente precisa respeitar seu espaço e saber que nem todos gostam de carinho. A minha por exemplo, quase não gosta. Mas há muitos felinos por aí ronronentos e que gostam de ser amassados, digamos assim. Mas, nos cabe respeitá-los com seus temperamentos únicos.

      Um abraço!

Next ArticleO que você precisa saber antes de comprar um cachorro