Saiba tudo sobre a esporotricose

catMuitos são os riscos que os animais criados com acesso a rua correm, isso não é novidade para ninguém. A gente sempre fala dos envenenamentos, atropelamentos, crueldade humana e diversas doenças. Entre tantas doenças existe uma chamada esporotricose, continue com agente e saiba tudo sobre o assunto!

O que é a doença?

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A esporotricose é um tipo de micose transmitida por um fungo chamado Sporothrix Schenckii. A doença atinge a pele, o tecido subcutâneo, vasos linfáticos e pode afetar também os órgãos internos.

Onde esse fungo é encontrado e como os animais podem se contaminar?

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Esse fungo é muito comum na natureza, especialmente em roseiras, arbustos, musgo, adubo, vegetais, madeiras, palhas e no solo de forma geral. Além da natureza lugares de pouca higiene também podem ser portadores dessa zoonoses. Os gatos são facilmente contaminados pois quando criados livremente tem mais acesso a essas formas de contaminação.

Sobem em árvores, afiam as unhas,  e podem se contaminar exatamente assim, uma vez contaminados ao voltar para casa podem transmitir a doença para outros animais incluindo nós, os humanos.

Esse fungo precisa de lugares quentes para se proliferar, então Estados onde o calor predomina tem maior índice de contaminação, por isso fique atento!

Os primeiros casos registados em animais surgiram no final dos anos 90, antes eram mais comuns em jardineiros, floristas e trabalhadores rurais. Devido a esse fungo ser muito comum em roseira, também é conhecido como: doença da roseira. Pessoas que trabalham com plantas estão mais expostas a doenças, pois basta uma pequena espetada nos espinhos da rosa e a contaminação é realizada.

Nos animais a contaminação é muito comum em brigas territoriais, por comidas, no período de acasalamento e ainda é claro, no contato com as plantas. Os animais podem ainda transmitir a doença sem apresentar nenhum sintoma. Mas fique calmo, não abandone seu animal nem sacrifique, existe tratamento e vamos ver mais a frente como funciona.

Sintomas da esporotricose

O período de incubação da doença pode variar de de poucos dias a 3 meses, por isso atenção nos sintomas a seguir que aparecem principalmente nos membros superiores e face.

Os sintomas se dividem em cutâneo-localizada, cutâneo-linfática e cutâneo-disseminada.

  • Cutâneo-localizada: Específico da pele ou com discretas ínguas, é caracterizada por lesão elevada, avermelhada, pode ser verrucoso ou ferido, geralmente coberto por crostas. Esta apresentação também pode ocorrer nos olhos e boca.
  • Cutâneo-linfática: É a forma mais comum da doença. A lesão inicial é um nódulo que pode ulcerar, a parir dela forma-se um cordão endurecido que segue pelo vaso linfático em direção aos gânglios e ao logo dele formam-se outros nódulos, que também pode ulcerar. Podem ocorrer ínguas que são geralmente discretas.
  • Cutâneo-disseminada: Ocorre em casos mais graves e consiste na infecção generalizada do organismo, afetando o pulmão, os ossos, sistema nervoso e mucosas.

Depoimento

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Eu tive um gatinho que apareceu na minha casa em uma tarde de domingo, era adulto, extremamente magro e apresentava umas feridas semelhantes a queimaduras de cigarros.

Na minha casa, achamos que podíamos tratar com povidine, jamais façam isso em casa!

As feridas eram basicamente nas orelhas e nas costas, próximo a cabeça. As pequenas feridas não cicatrizaram e o pior começaram a aparecer mais. Foi nesse momento que o levamos ao veterinário. Era esporotricose.

Essa doença é devastadora! As feridas vão literalmente comendo e mutilando o animal se não tratado a tempo. Anti-sépticos não tratam esse tipo de doença e o animal sofre muito, isso sem mencionar parasitas que podem se aproveitar da ferida aberta e pôr ovos.

O tratamento foi longo, ele teve uma melhora e achamos que tinha se curado, começamos a reduzir os medicamentos mas depois voltou de novo até que após 6 meses ficou curado. Infelizmente, depois de alguns meses foi diagnosticado com Felv (leucemia felina) e acabou não resistindo ao tratamento. ☹

O que citamos acima são sintomas gerais e não substituem de maneira nenhuma uma consulta com o veterinário. A qualquer sintoma diferente que seu animal apresente, vá imediatamente ao médico especialista e não tente nenhum medicamento caseiro, além de não resolver pode agravar a doença.

Diagnóstico da esporotricose

Apesar de sintomas muito específicos, no início a doença pode ser confundida com herpes e leishmaniose por isso são coletadas amostras das lesões e são realizados exames de sangue para confirmar a doença e se iniciar o tratamento. Não existe vacina para esporotricose, por isso cuide para que seu peludinho não vá a lugares onde corra risco de se contaminar.

Tratamento

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Os medicamentos utilizados para o tratamentos são os antifúngicos. Respeite os horários das medicações, não falte as consultas e revisões. Em casos de sintomas diferentes especificados pelo médico responsável entre em contato imediatamente com ele.

Mais algumas dicas devem ser seguidas:

  • O animal contaminado deve ser isolado dentro de casa para evitar contaminação dos outros animais incluindo animais de rua. Isso pode evitar até um surto da doença no local.
  • O contato com ele deve ter atenção redobrada pois arranhões e mordidas podem contaminar os humanos também.
  • Desinfete o local onde o animal ficará isolado com água sanitária ou cloro
  • O tempo de tratamento varia de acordo com o estágio da doença e resposta do animal a medicação, seja paciente e siga até o fim
  • Após contato com o animal doente não esqueça de lavar bem as mãos
  • Em caso de óbito, opte por cremação para evitar contaminação do solo com doença.

Só lembrando que a doença nos seres humanos tem um tratamento semelhante ao dos animais, mas em nós a cura é mais rápida e simples. Em caso de dúvida procure um especialista em clinica médica geral ou dermatologista.

Em todos os Estados exitem Centros de Controle de Zoonoses, Institutos de Infectologia e Vigilância Sanitária. Esses são os órgãos responsáveis por conter possíveis surtos da doença. Se você observou que onde mora pode esta havendo muitos problemas com esporotricose procure imediatamente um desses lugares e faça uma denuncia.

Contatos no Rio de Janeiro

Antes de finalizarmos a matéria, gostaria que vissem essa foto. Quando a gente escolhe ter um animal não é o mesmo que um brinquedo. Não abandone seu melhor quando ele ficar doente. Não opte por sacrificá-lo! Essa é uma doença dolorida sim, mas que tem tratamento e cura! Não abandone quem nunca abandonará você!

esporotricose

Foto extraída do site www.faperj.br mostrando antes e depois do tratamento de um gato com esporotricose.

E aí, gostaram da matéria? Deixem suas dúvidas e experiências nos comentários!

Semana que vem a gente volta com mais dicas e cuidados para vocês, até lá! 😉

 

Fontes:

  • http://www.cachorrogato.com.br/cachorros/esporotricose/
  • http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/esporotricose
  • http://www.infoescola.com/doencas/esporotricrose/
  • http://www.dermatologia.net/novo/base/doencas/esporotricose.shtml

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14 Comentários

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  3. Sueli Garcia

    Boa Tarde!
    Meu gatinho está em tratamento ha quase 3 meses. As feridas já estão quase curadas.
    depois de curado ainda ha o risco de contaminação?

    • Fabiana Xavierr

      Olá Sueli, tudo bem?
      A esporotricose é provocada por um fungo, isso quer dizer que pode haver uma melhora aparente e ainda existir o fungo no sangue. Para confirmar com certeza que não há risco de contaminação, é preciso confirmar com exame de sangue. No entanto, vale lembrar que se o animal ainda mantiver contato com algo contaminado, pode retomar com a doença.
      Abraços! :)

      • Cleusa

        Boa tarde,
        Qual exame de sangue deve ser feito? Tenho um gato que está em tratamento há 7 meses, há 3 meses ele não apresenta mais feridas, qual exame de sangue específico devo solicitar para verificar a cura? Segundo atendente do laboratório, sempre vai dar positivo o exame de esporotricose, pois fica no organismo do gato mesmo após a cura das feridas. isso procede?
        Obrigada

        • Fabiana Xavier

          Olá, Cleusa!

          Consultamos a médica veterinária, Drª Leticia Cma e ela nos disse o seguinte: “Tem que fazer raspagaem de pele, na lesão. Se já não tem mais a ferida, deve ser feito no local onde tinha a ferida. Se o animal ja estive curado, o exame não acusará a esporotricose.”
          Lembrando que exames de sangue complementares apenas são solicitados conforme necessidade, nesse caso, fica a critério médico o tipo do exame.

          Um abraço!

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  5. Eliana

    Moro em apartamento e tenho alguns vasos de plantas, tenho um gato que sobe em alguns vasos. Existe algum risco de ter esse fungo nas terras dos vasos. Compro as terras adubadas em lojas especializadas.
    Obs: Não deixo meu gato sair pra rua.
    Obrigada

    • Fabiana Xavier

      Olá, Eliana!

      As roseiras são as plantas mais perigosas. Quanto a terra, depende muito. A contaminação através da terra se daria caso algum animal contaminado fosse enterrado nela. Nas clínicas e hospitais o procedimento padrão é cremação, pois evita a contaminação do solo. Mas em algumas comunidades, as pessoas enterram em qualquer lugar e contaminam o solo e plantas que nascem no local.
      O ideal seria você fazer contato com a empresa que fornece a terra e buscar informações sobre a procedência da terra.

      Um abraço!

  6. Carla

    Meu gato apareceu com uma ferida pequena, que inves de curar ía crescendo, aí levei no veterinário, foi feito o exames e foi constatado algum esporotricose. Tem um mês e 10 dias que ele está tomando o remédio. Mas está parecendo mais feridas na cabeça, estou preocupada. Vou leva-ló na revisão pra ver o que o veterinário fala.

    • Fabiana Xavier

      Olá, Carla!

      Sim, o leve para a revisão. É possível que ele aumente a dosagem da medicação ou acrescente alguma.
      Ele esta tratando com itraconazol?

  7. Lidiane

    Meu gato está se tratando. Depois do tratamento podemos cuidar dele.normalmente. sem medo d.pegar a doença por um arranhao na hora do banho.? Eu pra sempre ele poderá transmitir essa doença..?

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