Um gatinho é bom, mas dois é muito melhor!

Ter um gatinho ou dois? Muita gente passa por esse dilema, mas a gente garante que ter dois gatinhos é tudo de bom. Eles dão praticamente o mesmo trabalho que um só – mas dão o dobro de alegrias! Além disso, fazem companhia um ao outro quando estamos fora.

Mas nada melhor do que ouvir o que um próprio felino tem a dizer sobre o assunto. Então recebemos uma participação mais que especial do Borges, o Gato (nome dado em homenagem ao escritor argentino Jorge Luís Borges), contando como foi ganhar sua irmãzinha, a gata Christie (sacaram o trocadilho do nome?). O depoimento do Borges, além de divertido, é lindo. Dá uma lida e diz se você concorda com a gente!

Dois gatos escrevem uma só história

Caros fãs e novos leitores,

Para os que não tiveram o prazer de me conhecer, cabe apresentar: sou Borges: filósofo felino; tradutor de miados; cronista da vida doméstica; fofo e, claro, gato. Nasci no Campo de Santana, centro do Rio de Janeiro, e em minha mais tenra infância fui criado numa gaiolinha sozinho, até ser adotado por um casal que me criou em uma biblioteca.

Quando criança, sempre fui só e nunca fui só. Fui só porque não sei quem são meus pais reais, não tive outros gatos amigos. Nunca fui só porque me afeiçoei aos humanos, a todas as suas contradições, seus altruísmos e baixezas. E quando saíam para trabalhar ou passear, tampouco fui só, pois na biblioteca aprendi a e ler e a escrever. Os livros foram meus amigos fiéis, com eles conversava, dormia, almoçava, jantava, dormia, miava, brincava e dormia. Livros mais grossos como Dom Quixote eram ótimos para ler e dormir entre suas páginas abertas, fofinhos. Livros mais finos como Brás Cubas, eram bons para ler e me abanar no calor.

Ouvi por trás da porta do quarto, papai e mamãe preocupados com minha obsessão pelos livros. E se eu enlouquecesse de tanto ler? E se eu ficasse tão sozinho que esquecesse até mesmo de mim? E seu eu me tornasse um gato gordo e sedentário que explodiria de tanto comer? E se! E entre esses tantos “SE” eles procuravam soluções que eu jamais imaginei que pudessem mudar tanto a minha vida gatuna.

Numa noite que deveria ter sido desimportante, mas fez questão de não ser, eu dormia na sala escura. Quando abri os olhos, vi outros dois além dos meus.  Um miado de uma voz que não era a minha tomou conta da sala. Meus pais acenderam a luz e falaram: – Surpresa, Borges! É sua irmãzinha: a gata Christie. Neste dia quase enfartei. Nem toda a racionalidade que sempre tive deu conta de segurar meus instintos mais bichos. Lembro que aprendi a rosnar como um leão, senti vontade de matar e beber sangue, aprendi a andar pelas paredes. Tramei, durante uma semana, o assassinato de minha própria irmã e meu retorno a ser o único filho daquela casa. Quando todos os planos estavam prontos, esperei meus pais saírem, observei que Christie estava sozinha, ficamos frente a frente, ela me olhou bem no fundo dos olhos, eu me abaixei para dar o bote, ela balançou o rabinho, eu coloquei as garras pra fora, e ela disse: te amo, irmão, você é muito legal, obrigado por me aceitar e dividir suas coisas comigo. Pulei em cima dela e a lambi, naquele instante, entendi que nós havíamos sido destinados um ao outro ao ponto de nos tornarmos inseparáveis.

Christie hoje é para mim a parte que me faltava e eu não percebia. O sorriso na minha racionalidade, a brincadeira entre minhas leituras, os saltos que me despertam do sono, a liberdade de ser gato diante da minha preguiça de ser gato. Brincamos de rolar pelo chão, competimos quem pula mais alto, revezamos os potes de ração, limpamos as orelhas um do outro, competimos quem canta mais alto, ficamos na janela contando histórias pra lua e ganhamos carinhos e amores juntos dos nossos pais. E, hoje, quando subo na pia do banheiro para beber água, olho-me no espelho, vejo meu reflexo, e não consigo mais imaginar se seria possível existir Borges se não existisse a minha irmã, a gata Christie.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

Obs: a gente conheceu o Borges quando ele participou – e ganhou – um concurso que fizemos na página do Amigo Não se Compra, no Facebook. Descobrimos que ele era muito especial não só por receber mais de 700 likes na foto do concurso, mas também porque ele é um gato escritor que tem seu próprio blog! Se você é amante dos gatos ou simplesmente um curioso, clique aqui pra conhecer o blog desse gatinho super culto.

 

 

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7 Comentários

  1. Pingback: Escrevendo pra fora « Borges, o gato

  2. Aline Matos

    Adorei a história. Descobri o Borges no twitter e todos os dias leio as suas peripécias.
    Um gato com futuro como escritor, poeta, filósofo e pensador.
    Um miau para o Borges e família.

  3. Aline Matos

    Esqueci-me de dizer que tenho 3 gatos. Primeiro veio um, depois o segundo e depois porque não o terceiro. São todos felizes e eu também. Adopte um gato e seja também um pouco mais feliz :)

  4. O Borges é um fofo.
    O texto ficou lindo! Demonstração de amor por sua mana.
    Quem tem dúvida ainda de que é melhor criar dois gatinhos do que um?

  5. Sara

    Amo a-m-o aMo AmO A*M*O msm esta dupla: Borges e Christie!
    Os dois são incríveis!!
    Bjss para o pessoal da ONG Amigo Não Se Compra!! Que DEUS os abençoe e os guarde em todas as situaçoes!! =^,^=

    • admin

      Obrigada, Sara!

      A gente também adora essa duplinha e ficamos superfelizes em tê-los aqui no nosso site! ;)

  6. Patricia

    que lindo! Me emocionei com o encontro dos dois!!

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